Primeira investida após classificação terrorista

O Tesouro norte-americano aplicou medidas punitivas nesta quarta-feira (1º de julho) contra dois cidadãos brasileiros e três organizações empresariais sediadas no país, sob acusação de integração com a estrutura do Primeiro Comando da Capital. Uma quarta empresa, com sede próxima a Lisboa, também foi atingida pelas restrições.

A ação marca o primeiro caso de sanções impostas por Washington direcionado a pessoas ou entidades brasileiras desde que o governo Trump catalagou organizações criminosas nacionais na categoria de grupos terroristas. Gene Lange, subsecretário responsável por Terrorismo e Inteligência Financeira, comentou sobre o episódio: “Essa designação é mais um passo do governo dos EUA para abordar e reconhecer a crescente presença da geração de receita ilícita do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras”.

Investigação e alvos

Conforme informações do Departamento de Tesouro, a iniciativa resultou de averiguações coordenadas pela Força-Tarefa de Segurança Interna, em conjunto com representantes do FBI em Miami e especialistas em combate à lavagem de recursos do Departamento de Justiça. O escritório que administra ativos de entidades estrangeiras ressaltou em comunicado que a “abordagem unificada e abrangente do governo garante a coordenação operacional para maximizar o impacto contra as redes criminosas transnacionais”.

Os dois indivíduos sancionados foram identificados como Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. De acordo com acusações americanas, Shimada funcionaria como intermediário estratégico entre lideranças da facção e operadores localizados na Flórida, coordenando a movimentação de mais de US$ 30 milhões em diversas regiões norte-americanas. Stella teria ocupado posição de assistente administrativa de Shimada, além de ser parente dele.

Dentre os negócios bloqueados está a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, vinculada a Shimada. Também sofreram restrições a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, a Wave Construções Inteligentes Ltda e a Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda, esta última baseada em Portugal. As duas primeiras oferecem serviços no segmento financeiro, enquanto a terceira funciona no ramo de transportes e armazenagem e a quarta atua no mercado imobiliário.

As medidas resultam no congelamento integral de patrimônios pertencentes aos alvos que estejam localizados dentro do território americano ou sob administração de cidadãos norte-americanos. O órgão regulador advertiu ainda que “instituições financeiras e outras pessoas podem estar sujeitas a sanções por se envolverem em certas transações ou atividades envolvendo pessoas designadas ou bloqueadas”.

A decisão se insere numa estratégia mais ampla de Washington para intensificar o cerco sobre estruturas de financiamento ilegal que operam em escala transnacional, com ênfase particular na movimentação de recursos vinculados a organizações criminosas brasileiras que atuam além das fronteiras nacionais.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.