Acordo histórico redefine dinâmica no Oriente Médio
Um memorando de entendimento negociado entre Irã e Estados Unidos estabelece que a administração do Estreito de Ormuz ficará sob responsabilidade de Omã, Irã e demais nações litorâneas do Golfo Pérsico. O documento, divulgado pela mídia estatal iraniana e pelos meios de comunicação norte-americanos, contém 14 pontos e foi publicado pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em rede social.
Encerramento de hostilidades
O primeiro ponto do acordo estabelece o término “imediato e permanente” de todas as operações militares em andamento, abrangendo os conflitos no Líbano e na Faixa de Gaza. Conforme consta no texto, Teerã e Washington se comprometem a não deflagrar novas guerras ou ações militares um contra o outro, além de renunciar a ameaças ou emprego da força. Ambos os países também se obrigam a garantir a integridade territorial e a soberania libanesa.
O documento foi assinado remotamente, segundo informação do Paquistão, mediador das negociações, embora estivesse prevista cerimônia presencial em Genebra, na Suíça, para esta sexta-feira (19). Irã e EUA comprometem-se mutuamente a respeitar a soberania territorial um do outro e evitar interferências em assuntos internos.
Levantamento de sanções e desbloqueio de recursos
O acordo prevê a suspensão de todas as sanções impostas contra o Irã, além do fim do bloqueio naval implementado por Washington. Recursos financeiros iranianos retidos pelos Estados Unidos serão liberados, e está previsto um plano de reconstrução da nação persa no valor de US$ 300 bilhões.
Quanto ao Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais críticas do planeta, o Irã permitirá passagem segura e sem custos durante 60 dias, período em que transitavam aproximadamente 20% do petróleo mundial antes do intensificamento dos conflitos. A administração futura dessa via será definida através de diálogos entre Irã e Omã, com participação dos demais Estados costeiros do Golfo Pérsico, em consonância com normas internacionais e direitos soberanos dos países da região.
Um importante compromisso iraniano inclui a renúncia ao desenvolvimento de armamentos nucleares, com aceitação de inspeções periódicas da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas. A íntegra do memorando também estabelece um prazo de 60 dias para conclusão de um acordo final, prorrogável conforme necessário.
Enquanto negociações avançam sobre os detalhes definitivos, várias disposições entram em vigor imediatamente: cessação de operações militares em todas as frentes, remoção do bloqueio naval norte-americano e acesso ao Estreito de Ormuz em regime de passagem gratuita durante os primeiros dois meses.
O acordo representa uma mudança significativa na configuração geopolítica regional após período de elevada tensão, com potenciais implicações para segurança energética global e estabilidade do Golfo Pérsico. Os próximos 60 dias serão determinantes para avaliar a consolidação desses compromissos em documento final vinculante.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
