Aviso de especialistas
O Serviço Meteorológico da Austrália divulgou na terça-feira (16) previsões sobre um fenômeno climático em desenvolvimento no oceano Pacífico tropical. Os dados indicam potencial para que esse evento se torne um dos mais vigorosos registrados desde a década de 1950.
Conforme informado pela agência meteorológica, dados de temperatura dos mares e indicadores atmosféricos confirmam a formação do El Niño. A intensidade esperada é classificada como forte a muito forte, considerando-se o padrão de aquecimento observado na região central do Pacífico tropical.
Técnicos que estudam o fenômeno indicam que aproximadamente metade dos modelos utilizados aponta para possibilidade de atingir níveis comparáveis aos picos registrados desde 1950.
Impactos globais previstos
As consequências esperadas do El Niño devem variar por região geográfica. Meteorologistas antecipam volumes de precipitação anormalmente elevados em setores das Américas, enquanto territórios asiáticos podem enfrentar períodos de calor intenso e escassez de umidade. A situação gera especial preocupação para o setor agrícola asiático, já em dificuldades, ameaçando abastecimento alimentar em uma das áreas mais densamente povoadas do planeta.
Para a Austrália especificamente, o quadro apresenta desafios significativos. O fenômeno caracteriza-se por aquecimento das águas oceânicas no Pacífico central e oriental, relacionado a redução de chuvas durante estações de inverno e primavera, particularmente na costa leste do país, além de elevação de temperaturas máximas no sul.
A economia australiana sente de maneira particular esses efeitos. Como um dos principais fornecedores globais de trigo, açúcar e carne bovina, variações nas condições climáticas impactam diretamente a capacidade produtiva agrícola e pecuária. Entre 2023 e 2024, o El Niño anterior gerou o período trimestral mais árido já documentado para o país. Dois anos antes, um dos eventos mais severos jamais registrados, em 2015 e 2016, provocou estiagem generalizada e comprometeu significativamente a colheita de grãos e culturas oleaginosas.
Pesquisadores também chamam atenção para o papel das mudanças climáticas globais. Eles alertam que os impactos do fenômeno em curso tendem a ser amplificados pelo aquecimento progressivo do planeta.
Os próximos meses representarão período crítico para confirmar as projeções atuais e acompanhar a evolução do evento. Tanto governos quanto setor produtivo em regiões afetadas já começam a avaliar medidas adaptativas diante do cenário descrito pelos especialistas.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
