Disputa polarizada define rumo político do país andino
O Peru se volta para as urnas neste domingo (7) em decisão crucial que levará um novo ocupante à presidência para os próximos cinco anos. A nação sul-americana, que conta com 34 milhões de habitantes, enfrenta escolha entre duas visões políticas antagônicas: a candidata direitista Keiko Fujimori e o concorrente esquerdista Roberto Sánchez Palomino.
O primeiro turno, realizado há pouco mais de um mês e marcado por atrasos significativos na contagem de votos, deixou a filha do antigo líder Alberto Fujimori em primeiro lugar com 17,1% das intenções, seguida por Sánchez com 12,0%. A votação anterior envolveu 35 postulantes, refletindo a fragmentação política que caracteriza o cenário nacional.
Incerteza marca caminho para o segundo turno
Apesar de estar à frente na etapa anterior, analistas avaliam com cautela as chances de Fujimori. Sua trajetória eleitoral apresenta padrão de revés: em 2011, 2016 e 2021, ela chegou ao segundo turno, mas não conseguiu converter sua vantagem inicial em vitória. Essa sequência de derrotas levanta dúvidas sobre sua capacidade de mobilizar apoio além do núcleo de eleitores que a escolheu na primeira fase.
Fujimori carrega o legado do pai, que governou entre 1990 e 2000, mas também herda a rejeição associada àquele período. Alberto Fujimori foi condenado por crimes de direitos humanos, incluindo esterilização coercitiva de mulheres indígenas. Durante sua campanha, ela tem sinalizado aproximação com a administração de Donald Trump nos EUA, posicionamento que pode impactar a presença de investimentos chineses no país, particularmente no Porto de Chancay, terminal que funciona como corredor de escoamento de produtos continentais em direção à Ásia.
Do lado progressista, Sánchez construiu sua campanha associando-se ao ex-presidente Pedro Castillo, no qual atuou como ministro. Castillo venceu a disputa presidencial em 2021, derrotando Fujimori, mas foi posteriormente derrubado do cargo, preso e sentenciado por tentativa de golpe de Estado após tentar dissolução do Parlamento. Para segmentos que o apoiam, Castillo representou a voz das populações rurais e indígenas do país, tendo se tornado vítima do poderoso legislativo nacional.
Formado em psicologia, Sánchez atua como deputado pelo partido Juntos Pelo Peru. Sua plataforma promete reforma constitucional para substituir a Constituição que segue da era fujimorista, além de implementação de transformações sociais voltadas à ampliação de direitos aos cidadãos.
Analistas reconhecem que o pleito transcende limites nacionais. Gustavo Menon, docente de pós-graduação em Integração da América Latina na Universidade de São Paulo, situa a eleição no contexto da rivalidade comercial sino-americana no continente. Conforme sua avaliação, a proposta de Sánchez se opõe radicalmente ao projeto de Fujimori, que busca realinhamento com Washington e endurecimento de políticas migratórias, além de contenção da influência chinesa através do Porto de Chancay.
O cenário político peruano reflete crise institucional profunda: o próximo presidente será o nono mandatário em uma década, evidenciando instabilidade recorrente e sucessivas destituições aprovadas pelo Parlamento. Este contexto de turbulência política e econômica reforça as apostas em como cada candidato planeja restaurar estabilidade ao país.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
