Levantamento revela impactos na saúde
Dois terços dos brasileiros consultados em levantamento recente do Instituto Locomotiva apontam que a jornada de seis dias consecutivos de trabalho com apenas um dia de repouso prejudica sua saúde mental. O instituto divulgou os dados nesta terça-feira (2), num momento em que uma proposta de mudança nesse modelo segue avançada no Congresso Nacional.
A pesquisa realizada em parceria com a QuestionPro entre junho de 2 e 8 entrevistou 1.030 pessoas distribuídas por todas as regiões brasileiras. Além da saúde mental, o diagnóstico aponta que 62% dos respondentes enfrentam deterioração de sua condição física sob esse regime de trabalho.
Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, o levantamento identifica como questão central para os brasileiros a quantidade reduzida de tempo disponível para atividades fora do trabalho. “A pesquisa mostra que a jornada pesa sobre dimensões fundamentais da qualidade de vida, como saúde mental, descanso, tempo com a família e relações pessoais”, destaca.
Qual é o alcance do problema
Os números revelados não se restringem apenas à saúde mental. A convivência familiar sofre com essa dinâmica: 69% dos entrevistados relatam que a qualidade do tempo dedicado à família é prejudicada. No tocante ao descanso, 61% consideram que o sono e o repouso ficam comprometidos sob essa escala.
Indicadores ainda mais alarmantes surgem quando se questiona sobre hábitos de bem-estar. Sete em cada dez brasileiros (71%) indicam dificuldade em manter rotinas saudáveis, enquanto 78% afirmam ser praticamente impossível obter um descanso genuíno com tantas horas trabalhadas. O cansaço crônico é mencionado por 83% dos respondentes como uma realidade constante em suas vidas.
Para 85% daqueles que trabalham sob essa jornada, há um sacrifício direto de saúde e lazer em troca da renda obtida. Entre mulheres especificamente, esse percentual sobe para 89%, indicando que o impacto desigual atinge com maior intensidade esse segmento da população.
A emenda constitucional que busca reformular esse quadro, conhecida como PEC 221 de 2019, foi aprovada nesta terça pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A proposta estabelece obrigatoriedade de dois dias de descanso remunerado por semana, mantendo o salário inalterado. Também reduziria a carga semanal de 44 para 40 horas, com período de adaptação de 14 meses para os setores afetados.
No âmbito das discussões parlamentares, congressistas reconhecem que existem posições divergentes sobre as consequências econômicas dessa mudança, com estudos apontando impactos distintos sobre a inflação e o Produto Interno Bruto. A questão permanece complexa do ponto de vista das implicações macroeconômicas, enquanto o descontentamento com a atual estrutura segue documentado entre os trabalhadores brasileiros.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.




