Ratificação concluída em junho

O Brasil formalizou a conclusão dos procedimentos de ratificação relativos aos tratados comerciais que o Mercosul estabeleceu com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Singapura. Os documentos foram entregues em 30 de junho ao governo do Paraguai, que exercia a presidência do bloco no primeiro semestre, marcando o término da etapa brasileira em ambos os processos.

A confirmação foi divulgada na quinta-feira (2) pelos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os dois acordos haviam obtido aprovação e promulgação pelo Congresso Nacional em junho.

Com estes instrumentos em vigência, o Brasil amplia significativamente seu alcance comercial em duas regiões estratégicas, alinhado à política governamental de buscar parceiros econômicos diversificados em diferentes continentes.

Impactos econômicos previstos

Segundo o governo, a entrada em vigor destes tratados — somada ao acordo com a União Europeia — elevará a proporção do comércio exterior brasileiro que goza de preferências tarifárias. Atualmente em 12%, este percentual saltará para 31,2%, demonstrando a abrangência das novas negociações no fluxo comercial nacional.

No caso europeu, o acordo entre Mercosul e EFTA, assinado no Rio em setembro de 2025, envolve Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A integração destes países com o bloco sul-americano forma um mercado com mais de 280 milhões de potenciais consumidores. Quando o tratado entrar em vigência, aproximadamente 99% do valor das exportações brasileiras para estes países receberão tratamento preferencial.

O intercâmbio comercial entre Brasil e nações da EFTA atingiu US$ 7,8 bilhões em 2025, sendo US$ 3,8 bilhões referentes a embarques brasileiros — uma expansão de 22,9% frente ao ano anterior. O acordo garante abolição de tarifas para quase a totalidade de itens industriais e pesqueiros, além de aberturas de cotas para produtos do setor agropecuário brasileiro, incluindo diferentes tipos de carnes, milho, mel e óleos vegetais.

Com Singapura, o acordo assinado em dezembro de 2023 representa a primeira iniciativa de livre comércio do Mercosul com uma nação do Sudeste Asiático. Para o Brasil, o tratado começa a vigorar em 1º de agosto, oferecendo isenção tarifária para a totalidade das exportações brasileiras destinadas àquele país. Em 2025, o volume de trocas comerciais atingiu US$ 10,7 bilhões, com exportações brasileiras somando US$ 7,4 bilhões e saldo favorável de US$ 4,1 bilhões. Produtos como óleos combustíveis, máquinas e diversos tipos de carne (bovina, suína e avícola) lideram as vendas brasileiras. Além de benefícios tarifários, o acordo abre portas no mercado de serviços, promove fluxos de investimento e traz um capítulo inédito para o Mercosul sobre comércio eletrônico em negociação com parceiro extrarregional.

Próximos passos: Japão em pauta

Paralelamente à consolidação destes acordos, o MDIC iniciou nesta quinta-feira (2) uma consulta pública destinada a subsidiar possíveis negociações de um tratado comercial entre Mercosul e Japão. Interessados poderão enviar contribuições até 15 de agosto por intermédio da plataforma Brasil Participativo. O governo busca, antes de formalizar negociações, mapear oportunidades, prioridades e sensibilidades dos setores produtivos brasileiros na relação com a economia japonesa.

Juntos, Mercosul e Japão concentram aproximadamente 400 milhões de habitantes, um Produto Interno Bruto combinado de US$ 7 trilhões e registraram US$ 11,5 bilhões em fluxo comercial durante 2025.

A sequência de acordos comerciais reflete o esforço brasileiro em fortalecer laços econômicos com diferentes blocos globais, reduzindo dependência de parceiros únicos e criando múltiplos canais para exportações nacionais em mercados de alto dinamismo econômico.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.