Forte desempenho nas exportações
O Brasil encerrou junho com um saldo positivo de US$ 9,8 bilhões na balança comercial, marcando um desempenho significativamente superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O resultado representa um aumento de 66,6% comparado a junho de 2025, conforme dados divulgados na sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
As exportações foram o motor dessa expansão, saltando aproximadamente 25% no período. Setores como extração mineral, transformação industrial e agropecuária lideraram o crescimento das vendas internacionais, sustentados por produtos de alto valor agregado e commodities.
A corrente de comércio — que soma exportações e importações — atingiu US$ 62,8 bilhões, estabelecendo um novo recorde mensal. Esse patamar reflete tanto o dinamismo das vendas quanto o aumento nas compras externas.
Setores e produtos em evidência
A indústria extrativa comandou o crescimento com faturamento de US$ 9,9 bilhões, representando expansão de 58,4% ante o mesmo mês do ano passado. Petróleo bruto e minério de ferro foram os destaques, com altas respectivas de 78,9% e 20%.
A indústria de transformação movimentou US$ 18 bilhões, crescimento de 14,7%. Combustíveis refinados, carnes de aves e carne bovina apresentaram números particularmente robustos, com oscilações de 88,8%, 62,4% e 39,2%, respectivamente. O agronegócio contribuiu com US$ 8,1 bilhões em exportações, registrando avanço de 18%, com destaque para soja, algodão bruto e animais vivos.
Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, ainda não é possível medir com precisão os impactos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia nas exportações brasileiras. Contudo, já há sinais de maior procura de importadores europeus pelos produtos nacionais.
Geograficamente, a Ásia consolidou-se como principal destino das vendas brasileiras, com US$ 17,4 bilhões e crescimento de 29,9%. Europa, América do Norte e América do Sul registraram US$ 6,4 bilhões (+43,9%), US$ 4,9 bilhões (+8,5%) e US$ 3,9 bilhões (+7%), respectivamente. As remessas para os Estados Unidos avançaram 3,7% entre maio e junho, mesmo em contexto de negociações comerciais bilaterais.
As importações também cresceram em junho, totalizando US$ 26,5 bilhões e alta de 14,4%. Bens intermediários lideraram as compras com US$ 15,1 bilhões (+10,9%), seguidos por bens de consumo com US$ 5,7 bilhões (+34%), bens de capital com US$ 3,5 bilhões (+5,7%) e combustíveis com US$ 2,2 bilhões (+11,6%).
Projeções revisadas para o ano
O desempenho do primeiro semestre levou o MDIC a elevar suas projeções para 2026. A estimativa de superávit comercial foi revista de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. As exportações passaram de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, enquanto as importações foram ajustadas de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
As previsões do ministério mostram-se mais otimistas que as de instituições financeiras. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a projeção consensual aponta para superávit de US$ 76,2 bilhões neste ano. No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial já acumula superávit de US$ 42,4 bilhões, com exportações em US$ 184,8 bilhões e importações em US$ 142,4 bilhões.
Os números reforçam a relevância da balança comercial no desempenho macroeconômico do país. A continuidade desse cenário favorável dependerá da sustentabilidade dos preços internacionais de commodities, das dinâmicas comerciais globais e dos desfechos das negociações sobre tarifas bilaterais em andamento.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
