Inflação volta à meta com queda nos alimentos

A inflação oficial brasileira recuou para 0,07% no mês de julho, devolvendo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aos patamares aceitáveis pelo governo. O desempenho encerra uma sequência de quatro meses consecutivos de enfraquecimento do índice, com contribuição determinante das quedas de preços no setor alimentar.

O acumulado de 12 meses atingiu 4,44%, situando-se novamente dentro da meta governamental. O intervalo estabelecido pelo governo prevê uma inflação de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Durante maio e junho, o indicador havia extrapolado o limite superior, marcando respectivamente 4,72% e 4,64%, antes de retornar ao patamar permitido.

O resultado do mês ficou alinhado às projeções do mercado financeiro. Sondagem do Banco Central realizada na segunda-feira (10) apontava expectativa de 0,07% para julho. As instituições econômicas consultadas projetam IPCA de 5,02% até o encerramento de 2026.

Alimentos puxam inflação para baixo pela segunda vez consecutiva

O comportamento do grupo alimentação e bebidas foi central para o resultado favorável. Pela segunda vez seguida, esse segmento apresentou deflação, ou seja, pressão desinflacionária. Em junho, a queda havia alcançado 0,24%, e em julho repetiu-se o cenário com recuo de 0,67%, contribuindo com -0,14 ponto percentual para o índice geral.

Dentro do segmento alimentar, a alimentação consumida em domicílio recuou 1,14%, com destaque para quedas acentuadas de tubérculos, raízes e legumes (-16,15%). O tomate apresentou a maior desvalorização individual, caindo 29,09%. Batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) também contribuíram de forma expressiva para o movimento de queda de preços.

O café merece atenção especial: a redução acumulada de 12 meses (-17,2%) representa o maior recuo desde o início do Plano Real, em 1994. Segundo Fernando Gonçalves, analista responsável pela pesquisa do IBGE, as menores cotações refletem melhor disponibilidade de produtos nas gôndolas. “O clima ficou mais favorável”, aponta, sugerindo que condições climáticas beneficiaram a oferta.

A inflação difusa em julho manteve-se em nível moderado. O índice de difusão atingiu 50%, indicando que exatamente metade dos 377 produtos e serviços monitorados pelo IBGE apresentou elevação de preços durante o período.

Eletricidade puxa para cima; outros setores variam

Enquanto alimentos cediam, a energia elétrica emergiu como principal fator inflacionário do mês, subindo 3,09% e contribuindo com 0,13 ponto percentual para o índice geral. O reajuste refletiu aumentos implementados nas distribuidoras de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Habitação também registrou elevação (0,99%, com impacto de 0,15 p.p.), enquanto saúde e cuidados pessoais avançaram 0,40% (0,06 p.p.).

Os demais grupos apresentaram movimentos contidos. Vestuário recuou 0,66% (-0,03 p.p.), educação caiu 0,03% (sem impacto relevante), e artigos de residência ficou praticamente estável em 0,07%. Transportes, comunicação e despesas pessoais registraram variações mínimas na casa de 0,01% a 0,05%.

Analistas destacam que a conta de eletricidade deve trazer alívio em agosto, quando entra em vigor o Bônus Itaipu, desconto na fatura de energia já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A leitura de julho marca o menor resultado desde agosto de 2025, quando houve deflação de 0,11%. Considerando apenas meses de julho, o desempenho é o menor desde 2022, quando o IPCA caiu 0,68%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Desde 2025, a avaliação da meta leva em conta os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado anual de dezembro. O índice é considerado descumprido apenas se extravasar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, condição que ainda não foi atingida.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.