Crescimento expressivo das exportações

O saldo positivo da balança comercial brasileira em maio atingiu US$ 7,823 bilhões, refletindo um avanço de 10,8% frente ao mesmo período do ano anterior, quando o superávit somou US$ 7,059 bilhões. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, consolida maio como o quarto melhor mês da série histórica iniciada em 1989 para este período.

As vendas externas alcançaram US$ 31,904 bilhões, representando crescimento de 6,6% na comparação anual. Simultaneamente, as importações subiram para US$ 24,081 bilhões, com variação positiva de 5,3%. Ambos os patamares configuram o segundo maior resultado para meses de maio em toda a série, perdendo apenas para maio de 2023 em exportações e maio de 2022 em importações.

A expansão do superávit reflete principalmente a recuperação de bens primários no mercado internacional. Dois produtos lideraram o desempenho: a soja contribuiu com incremento de US$ 804,1 milhões nas exportações, graças à safra e ao comportamento favorável dos preços, enquanto o minério de cobre adicionou US$ 617,9 milhões.

Setores e produtos com trajetórias distintas

No setor agropecuário, as exportações cresceram 9,8% em relação a maio de 2025, sustentadas pela expansão de 6,1% em volume e 2,8% nos preços médios. Além da soja, que saltou 14,6%, destaques incluem algodão bruto (+45,3%) e milho não moído (+267,2%). Porém, o café registrou desempenho oposto: as vendas caíram US$ 297,6 milhões (-24,5%), refletindo contração de 8,6% no volume e 13,4% nos preços.

A indústria extrativa enxergou redução de 1,9% nas exportações, puxada pela queda nas vendas de petróleo bruto (-9,3%) e minério de ferro (-15,2%). O setor petrolífero, em particular, viu suas exportações recuarem US$ 390,8 milhões, apesar da valorização dos preços em 56,7%, motivada pelo conflito no Oriente Médio. O volume caiu 42,1%, reflexo parcial da alíquota de 12% de Imposto de Exportação sobre petróleo, instituída em meados de março para conter a elevação dos preços dos combustíveis. Compensando estes tombos, o minério de cobre avançou 149,4%, o maior crescimento percentual da indústria extrativa.

Na indústria de transformação, o crescimento de 9% foi impulsionado por carne bovina (+50,2%), combustíveis derivados (+75,2%) e ouro não monetário (+56,7%), ainda que o volume tenha expandido modestamente em 1% e os preços médios subido 7,4%.

Acumulado do ano reforça tendência positiva

Nos cinco primeiros meses de 2026, a balança comercial acumula superávit de US$ 32,662 bilhões, 34,2% acima do registrado no mesmo período de 2025. As exportações somaram US$ 148,571 bilhões (+8,7%), enquanto as importações atingiram US$ 115,908 bilhões (+3,2%). O acumulado posiciona-se como o terceiro melhor resultado da série, atrás apenas de 2024 (US$ 35,227 bilhões) e 2023 (US$ 34,540 bilhões).

O ministério destaca que além da recuperação das commodities, a comparação favorável também reflete operações pontuais: em fevereiro de 2025 foi importada uma plataforma de petróleo, evento que não se repetiu em 2026, eliminando uma carga de importação extraordinária que afetava o período anterior.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.