Redenção em campo
Quatro anos após ficar de fora da convocação para a Copa do Catar, Matheus Cunha conseguiu escrever uma história completamente diferente em sua estreia como titular no torneio de 2026. O atacante do Manchester United balançou a rede duas vezes na vitória brasileira por 3 a 0 sobre o Haiti, disputada na Filadélfia, colocando a seleção como líder do Grupo C.
A trajetória que levou a este momento, segundo o próprio jogador, carrega as marcas de quem precisou superar a frustração do passado. “Não estar na outra Copa, imaginar que poderia ser tão maravilhoso e estar aqui, fazendo o possível para que realmente seja. Não há nada mais gratificante do que estar realizando este sonho”, declarou Cunha em coletiva após o confronto de sexta-feira.
Competitividade sem rivalidade
Apesar de portar o número 9, historicamente reservado aos principais artilheiros da seleção, Cunha atua de forma menos centralizada, funcionando como um atacante que contribui para abrir espaços aos companheiros. A escolha de escalá-lo contra o Haiti se deu pela substituição de Igor Thiago, jogador com maior presença de área.
Um detalhe que ilustra o ambiente dentro do grupo: foi o próprio Igor Thiago quem correu para abraçar Cunha logo após o primeiro gol. O atacante atribui essa dinâmica à coesão construída entre os atletas. “É um grupo de amigos mesmo. E é duro ser amigo em meio a uma competitividade tão grande. A gente se une, torce genuinamente um pelo outro. No outro jogo, torci muito pelo Igor. Essa união torna mais fácil absorver tudo da forma mais positiva. Sem dúvidas, é legal ser da forma que é. Quebra paradigmas e crescemos juntos”, completou o jogador do Manchester United.
Para o confronto seguinte contra a Escócia, marcado para a próxima quinta-feira às 19h em Miami, uma vaga na segunda fase já está próxima do alcance brasileiro. Com quatro pontos no Grupo C e saldo de gols positivo, mesmo um empate garante o avanço da seleção. Cunha reconhece os pontos a desenvolver, mas avalia com tranquilidade. “Temos coisas para melhorar, mas ficamos satisfeitos pelo que fizemos. Temos calma e paciência. Saber sofrer no jogo é muito importante. O Haiti quase empatou com a Escócia e hoje foi um jogo difícil da Escócia contra Marrocos. Não é muito matemático”, refletiu.
O técnico Carlo Ancelotti, no entanto, não confirmou Cunha como titular para a próxima rodada. Em sua própria declaração à imprensa, o treinador explicou que a decisão pela escalação do atacante respondeu a características específicas do embate contra os haitianos. “Acho que, para esse jogo, a posição do Matheus era boa para criar problemas na defesa. Pode ser uma opção. Não quero uma identidade clara. Pode ser que no próximo jogo possamos mudar”, sintetizou Ancelotti.
O cenário mantém em aberto as opções táticas para os próximos passos do Brasil na competição, enquanto Cunha segue escrevendo seu capítulo de reabilitação em um torneio que o havia deixado para trás.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
