Admiração além das fronteiras
A potência do futebol feminino mundial reconhece em Marta Vieira da Silva uma referência inigualável. A seleção dos Estados Unidos, que acumula quatro títulos mundiais e cinco medalhas de ouro olímpicas, chegou a São Paulo com admiração declarada pela jogadora brasileira, considerada a maior de sua geração.
Rose Lavelle, meia da equipe norte-americana, expressou o sentimento em coletiva realizada no centro de treinamento do São Paulo. “Marta é uma lenda! Honestamente, estar em campo com ela é surreal. É a jogadora em que muitas de nós se espelharam. Enfrentá-la é um desespero [risos]”, afirmou durante preparação para os compromissos contra a Amarelinha.
A capitã Lindsay Heaps também se somou aos elogios à brasileira. Para a meio-campista, o destaque vai além das habilidades técnicas: “A maneira como ela [Marta] encara o jogo, técnica e taticamente, mas também o quanto ela gosta de jogar. Sempre adorei ver jogadoras que têm esse encanto. Ela tem uma mentalidade vencedora e traz muita alegria aos torcedores.”
Rivais em busca de reabilitação
O primeiro encontro entre as equipes ocorre neste sábado, às 18h30, na Neo Química Arena. Na história dos confrontos entre seleções no futebol feminino, os números favorecem amplamente as norte-americanas: em 43 jogos, o Brasil conquistou apenas quatro vitórias.
Contudo, a mais recente apresentação entre elas quebrou o padrão. O triunfo brasileiro por 2 a 1 no PayPal Park, em San Jose, na Califórnia, representou a primeira conquista do time verde e amarelo na casa das rivais. As gols saíram dos pés de Kerolin e Amanda Gutierres.
Para Emma Hayes, técnica dos Estados Unidos, o Brasil figura entre os adversários mais desafiadores do cenário global. “O Brasil é um time de classe mundial, com um grande técnico [Arthur Elias]. Sou grande fã do trabalho dele. A equipe joga com muita responsabilidade e torna muito difícil você ter o controle do jogo. Não importa quem elas enfrentam, estão sempre em alto nível. E nunca desistem. Acho que o Brasil sempre teve um time muito bom, mas que essa geração tem mais jogadoras no alto nível.”
Olho na próxima Copa
Além dos amistosos de preparação, a viagem carrega importância estratégica. Os Estados Unidos ainda precisam se classificar para a edição de 2027 do torneio, que será sediado no Brasil. Para isso, necessitam terminar entre as quatro seleções melhores colocadas do Campeonato da Confederação de Futebol das Américas do Norte, Central e Caribe (Concacaf), que as norte-americanas próprias organizarão entre 27 de novembro e 5 de dezembro.
Heaps enxerga a jornada até o país como oportunidade ímpar de familiarização. “Que experiência pode ser melhor do que estarmos aqui para enfrentar o Brasil, na casa delas e onde será a Copa do Mundo? Acho que temos que aproveitar o máximo da experiência. As viagens, os trajetos de ônibus, os treinos e tudo que o país tem a oferecer. Acredito que a atmosfera será incrível.”
Hayes também refletiu sobre a dimensão do evento para o futebol feminino brasileiro e global. “O futebol feminino, hoje, é uma indústria multibilionária. Está se tornando um grande negócio. É o esporte que mais cresce no mundo. O investimento no esporte feminino é um investimento inteligente. Espero que [a Copa] traga [ao Brasil] mais investimento nos clubes, maior profissionalização. E o mais importante: que as meninas sigam jogando o máximo de tempo possível. Sei que o Mundial trará um impacto massivo ao país. E estou ansiosa para isso.”
A última participação de Marta defendendo o Brasil ocorreu em agosto do ano anterior, quando a seleção conquistou o título da Copa América em Quito, no Equador.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
