Inversão do fluxo após anos de saques

A caderneta de poupança apresentou movimento positivo em maio, com saldo de R$ 2,6 bilhões em entradas líquidas, conforme informou o Banco Central nesta terça-feira (9). A reversão marca a primeira vez neste ano que a aplicação consegue captar mais recursos do que libera.

Durante o mês passado, os brasileiros depositaram R$ 368,4 bilhões nas contas de poupança, enquanto realizaram retiradas equivalentes a R$ 365,8 bilhões. Os rendimentos creditados ao longo do período totalizaram R$ 6,2 bilhões. O estoque total da poupança brasileira ultrapassou R$ 1 trilhão.

O resultado contrasta fortemente com o histórico recente. Em 2023, os poupadores sacaram líquidamente R$ 87,8 bilhões. No ano seguinte, as retiradas líquidas chegaram a R$ 15,5 bilhões. Já em 2025, o saldo negativo alcançou R$ 85,6 bilhões. Acumulando os primeiros cinco meses de 2026, porém, a caderneta ainda registra R$ 39,1 bilhões em saques líquidos no período.

Ambiente de juros elevados repele a poupança

A manutenção da taxa Selic em patamares altos tem sido o principal fator afastando recursos da poupança em direção a investimentos de melhor rentabilidade. De junho de 2025 até março deste ano, a taxa básica de juros permaneceu em 15% ao ano, seu maior patamar em quase duas décadas.

O Banco Central iniciou um ciclo de redução da Selic em abril, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aprovou um corte de 0,25 ponto percentual, chegando a 14,5% ao ano. A decisão se manteve apesar de pressões inflacionárias e tensões geopolíticas. A autoridade monetária não sinalizou, contudo, qual será o ritmo futuro de ajustes.

A Selic funciona como principal ferramenta do BC para manter a meta de inflação em 3% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Quando o Copom eleva a taxa, pretende esfriar a demanda para conter pressões nos preços, já que juros maiores encarecem crédito e estimulam a poupança. O efeito contrário ocorre quando há redução.

Em abril, a inflação oficial fechou em 0,67%, impulsionada principalmente pelos alimentos. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permanecendo dentro do teto estabelecido para a meta. Os números de maio serão divulgados na próxima sexta-feira (12).

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.