Reação ao imposto sobre exportações

Principais entidades que representam a indústria brasileira manifestaram descontentamento com a decisão do governo norte-americano de cobrar uma alíquota de 25% sobre mercadorias exportadas pelo Brasil. O anúncio foi feito na madrugada de quinta-feira (16 de julho), em Brasília, pelo presidente Donald Trump, e a medida passa a vigorar a partir de 22 de julho.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) emitiu comunicado expressando “lamenta com profunda preocupação” pela imposição da sobretaxa aos produtos brasileiros destinados ao mercado estadunidense. Segundo a organização, a medida prejudica especialmente porque se aplica de forma isolada ao Brasil, reduzindo a competição do país diante de outros fornecedores internacionais.

A Fiesp anunciou que permanece comprometida com “diplomacia empresarial” e continuará dialogando com representantes norte-americanos na tentativa de conseguir a revogação das tarifas ou, alternativamente, a expansão das exceções já previstas.

Preocupação dos demais setores

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também se pronunciou sobre o tema, destacando “profunda preocupação” ante o aumento das alíquotas impostas pelos Estados Unidos. A entidade sublinhou a relevância do diálogo e da cooperação entre nações, especialmente em contexto que demanda “serenidade e responsabilidade” nas relações comerciais internacionais. Para a Fiemg, os Estados Unidos representam parceiro estratégico particularmente importante para o segmento de manufatura nacional.

Ricardo Alban, que preside a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), também criticou o aumento tarifário. De acordo com Alban, os impactos da medida norte-americana já se fazem sentir no setor industrial: em 20 das 27 unidades da federação houve redução nas vendas para o mercado norte-americano durante o primeiro trimestre. Alban alertou que o cenário tende a deteriorar-se, “corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, e pediu empenho para reverter essa situação e recuperar o relacionamento histórico entre Brasil e Estados Unidos.

Produtos afetados e exceções

A alíquota de 25% incidirá sobre produtos que não constam de lista de isenções. Mais de dois mil itens ficaram fora da tributação por sua importância estratégica no mercado norte-americano ou por não serem fabricados em escala significativa pela indústria estadunidense. Entre os produtos isentos estão café, suco de laranja, carne bovina e aeronaves.

A medida representa novo capítulo na escalada de tensões comerciais entre os dois países e pressiona o governo brasileiro a buscar soluções diplomáticas para mitigar o impacto econômico sobre os exportadores nacionais.

Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.