Escalada de tensões no Golfo Pérsico
O Irã sinalizou disposição para interromper completamente o tráfego no Estreito de Ormuz e responder com retaliações multiplicadas caso enfrente novos ataques, segundo comunicado da emissora estatal iraniana Press TV. O anúncio marca uma mudança brusca apenas 27 dias após a formalização de um memorando de entendimento entre Teerã e Washington.
No documento assinado em 17 de junho, ambas as potências se comprometeram a suspender imediatamente as atividades militares em todos os cenários e a abster-se de deflagrar confrontos diretos. A promessa foi quebrada pouco tempo depois, com relatos de operações militares norte-americanas em bases costeiras e instalações na região de Hormozgan, no litoral iraniano, além de infraestruturas em Mahshahr, no sudoeste do país.
Declarações e acusações mútuas
Durante participação em cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, nesta quarta-feira (8), o presidente Donald Trump declarou que o entendimento bilateral havia se desfazido. “Não quero lidar com eles”, afirmou o líder americano, descartando prosseguimento nas negociações.
Do lado iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do parlamento, responsabilizou Washington pelo colapso do cessar-fogo, denunciando violação das cláusulas acordadas.
Os iranianos, por sua vez, já haviam respondido com operações militares próprias. De acordo com informações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), forças de Teerã dispararam mísseis e drones contra 85 instalações militares americanas distribuídas entre Bahrein e Kuwait. Os alvos incluíram a região do Porto Salman, onde funciona a Quinta Frota dos EUA no Bahrein, e a Base Aérea de Ali Al Salem, no território do Kuwait.
A sequência de eventos ilustra o padrão de rápida deterioração no diálogo entre Washington e Teerã, com cada lado acusando o outro de provocação. A ameaça iraniana de interromper o Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o comércio global de energia — adiciona complexidade ao impasse e potencial para efeitos econômicos internacionais.
Com informações da Agência Brasil. Veja a publicação original.
